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A Volta de 1927 – uma história que seduz

Quando os organizadores da Volta de 1927, inspirados pelo Tour de França, tomam a fronteira continental como referência para o desenho do primeiro percurso nacionalizam a corrida de bicicletas, uma vez que a fronteira simboliza os contornos da pertença nacional.

A competição desportiva passa então a ser ilustrada também pela relação que estabelece com a história e a geografia do território português. Desta relação singular nascem histórias peculiares que a diferenciam do Tour de França que inspirou a sua criação. 

Fonte: Vieira, J. (1999) Portugal Século XX - Crónica em Imagens. Lisboa. CL, p.163.
Desenho a partir das fontes: jornais DN e Os Sports de abril e maio de 1927

Os mapas da Volta, nos primeiros anos e dado o analfabetismo, funcionam como lições elementares de geografia. Os mapas contribuem de modo ilusivo para a vulgarização da cartografia e ajudam a construir o imaginário colectivo dos limites da pertença, a imagem de Portugal.

Mapa da Volta de 1933
Mapa da Volta de 1939

Estes mapas promovem a relação cultural com o território na medida em que dão relevo à geografia associada a marcos históricos.

Ao mesmo tempo, os mapas divulgam e promovem os novos modos de mobilidade espacial: a bicicleta e o automóvel.  

Por sua vez, a bicicleta, ainda um objecto caro na época será no pós-guerra o meio de transporte popular, nomeadamente dos homens. Nesta condição alarga o raio de contacto entre pessoas de lugares mais distantes.  

O evento em si, organizado por Raul Oliveira do jornal Os Sports em parceria com o Diário de Notícias, ensaia também novas formas de contacto entre grupos, instituições e lugares.

Estes mapas, com dados sobre as distâncias e os tempos de realização dos percursos, funcionam também como propostas de descoberta do próprio território.

O sucesso destas primeiras edições também é ditado pela publicação ilustrada da narrativa da epopeia que constituiu toda esta itinerância.

Apesar da fronteira tomar novos sentidos, o território continua a ser o cenário, o locus de emoções, o refúgio de segurança associado a histórias contadas pelas pessoas sobre si próprias.

É na relação com o território  que reside a sedução por este percurso de 1927. É na perspectiva de o voltar a fazer de bicicleta que reside a novidade. Agora com um país com muitas auto-estradas voltamos a ter a necessidade de descobrir os pequenos locais, o território que rapidamente atravessamos e que, por isso mesmo, fica por ver e por sentir. 

 

Dados sobre o impacto da primeira publicação

Em 10 dias a publicação do mapa do percurso teve o seguinte impacto na página de facebook do Dar a Volta:

16 622 pessoas alcançadas

73 partilhas.

 
Fotografia em destaque: encontro entre peregrinos e ciclo-turistas na ecopista de Évora-Arraiolos.