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Dia da bicicleta – é importante facilitar o uso

Andar de bicicleta tem de ser algo intuitivo e tem de estar bem regulado. As regras só são cumpridas por todos quando há congruência de design da infraestrutura, quando as ligações e cruzamentos estão desenhados e sinalizados de modo a servir todos.

Se colocamos as passadeiras a quilómetros de onde as pessoas desejam passar aumentamos o risco do atravessamento fora dessas áreas de conforto. 

Há ciclovias marcadas no passeio o que, em geral, promove conflito entre ciclistas e peões. Para além do conflito, uma ciclovia colocada no passeio é incongruente com a própria lei que proíbe andar de bicicleta em cima do passeio (excepto a crianças).

Ciclista no passeio. Ao lado uma via rápida sem faixa ciclável. Setúbal.
Ciclovia marcada no passeio. Cova da Piedade
Ciclovia bi-direcional acaba repentinamente. A passadeira situa-se 200m abaixo deste local. Ciclista faz em contramão pela berma até à dita passadeira. Corroios.

A maior parte das ciclovias começam e acabam sem ligação com o meio circundante como é o caso referido acima. A maior parte dos utilizadores de bicicleta experientes não usam ciclovias porque em geral estão situadas em lugares que não servem a deslocação e, maior parte das vezes, nem sabem que elas existem porque não há uma sinalética que indique onde começam e nem sobre os lugares que servem. Veja-se casos como o de Cacilhas e de Cascais: chegamos às estações, fluvial num caso e do comboio do outro, não há nada que indique que há uma ciclovia que vai até Corroios assim como, em Cascais, não há nada que indique que se está próximo de uma ciclovia que vai até ao Guincho.

Costa da Caparica - sinalética vertical da ciclovia que liga a vila à estação fluvial da Trafaria
Estação da Trafaria - indicação do destino e da distância coberta pela ciclovia

A Costa da Caparica é um dos poucos lugares em que a ciclovia tem sinalética vertical com informação útil sobre os quilómetros que temos ao dispor e indicando os locais que serve. Não obstante parte dela é feita ao longo do passeio o que convida os peões a utilizarem-na. A calçada portuguesa, apesar bonita ao olhar, oferece menor conforto para andar a pé e correr do que a ciclovia cujo pavimento é liso e regular.

Baden-Württemberg - centro da vila - sinalética que indica o sentido e a distância a percorrer em cada ciclovia até às vilas vizinhas
Ciclovia sem sinalética que indique distância ou destino e a acabar em cima d passeio. Torres de Lisboa.

Outro caso extraordinário é a ciclovia que existe à beira Tejo e vai desde Caxias até ao Cais do Sodré. Para quem não conheça não há em toda a linha nenhum sinal sobre a existência da ciclovia e nem sobre o modo de lhe aceder.

Elevador da estação de comboios de Caxias.
Ciclovia à beira do rio Tejo. Entre a Cruz Quebrada e Caxias. Não sinalizada. No Parque do Jamor não existe nenhum sinal ou indicação de existência da ciclovia entre Caxias e Algés.

Um cicloturista carregado com mochilas só consegue aceder à ciclovia à beira Tejo em 4 lugares distintos: no Cais do Sodré, numa passagem de nível em Santos, em Algés e no cruzamento da marginal com a estação da Cruz Quebrada, nenhuma delas devidamente assinalada. Há turistas que seguem pela marginal desde Algés até Lisboa sempre a ver o circuito à beira rio, do outro lado da linha férrea, mas sem saber como lhe aceder.

Em Belém, um lugar de turismo por excelência, tanto no túnel como na passagem aérea é muito difícil carregar uma bicicleta pesada numa calha empinada, estreita e apertada. Para não referir o caso das cadeiras de rodas que, por não existência de elevador, nem sequer têm acesso aos comboios.

As ciclovias têm sido construídas de modo a servir tempos de lazer, em geral são troços localizados em lugares com paisagem agradável, desligadas de uma lógica de ligação entre lugares que pudessem ser úteis a quem se desloca de bicicleta - quer seja por motivo de treino desportivo de ciclo-turismo ou de transporte. 

Entretanto, a montante ao nível político, a mudança que visa facilitar o uso da bicicleta já está contemplada nas Grandes Opções do Plano de 2016-2019 nos pontos que se seguem:

“Estimular os modos de transporte suaves, como a bicicleta e o pedonal;
Desenvolver e aplicar um Plano de Promoção da Bicicleta e outros modos de mobilidade suave;
Favorecer a mobilidade suave não só no interior de cada concelho, mas também ao nível intermunicipal, reduzindo a distância entre cidade e subúrbios através da partilha de infraestruturas de mobilidade suave e a criação de áreas verdes comunicantes;
Fomentar a construção de infraestruturas cicláveis, tendo em conta três perfis de utilizadores e três diferentes funções: a prática desportiva, a prática de turismo e lazer e a mobilidade urbana;
Permitir o transporte de bicicletas em transportes públicos (designadamente no comboio, metro e autocarro);
Reduzir a área ocupada pelo transporte individual, nas vias e no estacionamento,
Favorecendo o uso do transporte público e a mobilidade suave, em especial a mobilidade pedonal e ciclável, como forma de promoção da mobilidade jovem e da acessibilidade por cidadãos seniores.”
Fonte: Grandes Opções do Plano para 2016-2019, pág. 99

As intenções são claras agora só temos de saber Dar a Volta para as implementar!