Skip to main content
DESAFIO: 7 ETAPAS / 10 DIAS – VIAGEM DE ÉVORA A BRAGA
Etapa 6 – de Faro a Almodôvar pela N2
Etapa 5 – de Portimão a Faro guiados pelo fio de Ariadna
Etapa 4 – de Odemira a Portimão de bicicleta, geografias que se aproximam
Sic Notícias – Aqui vou eu para a Costa
Bicicleta eléctrica: a alternativa para deixar o automóvel
De bicicleta eléctrica: assim também eu! Então anda.
Arrow
Arrow

Etapa 3 – de Sines a Odemira faltam ciclovias S.U.F.

PERCURSO VARIADO DE SERRA E MAR

Quantos não sonham com o percurso à beira do Danúbio? É, de facto, um percurso que dispõe de ciclovia S.U.F. - Segura, Útil porque tem sinalização que indica a direção e a distância às vilas, logo muito Fácil de encontrar mesmo dentro das vilas onde a ciclovia deixa de existir. Mas, e não há bela sem senão, a maior parte da viagem na parte alemã segue à beira de campos de milho com quilómetros e quilómetros de distância, uma monotonia que nos faz muitas vezes avançar de uma etapa para a outra de comboio. A intermodalidade também é sempre garantida com os comboios a cobrar 5 euros ao transporte da bicicleta.

Mais, a côr do rio Danúbio raramente corresponde à que aparece nos panfletos e o azul ansiado tem a cor castanha, o caudal é largo, corre rápido demais e, no verão, quase transborda a margem. À conversa com os locais descobrimos que as curvas do rio, que desaceleravam o curso das águas, foram retificadas para servir a agricultura extensiva, maior parte milho e tabaco. Resultado, nomeadamente em Passau onde se dá o encontro do Danúbio com o Inn, todos os anos há cheias monumentais durante a primavera, na altura do degelo. Na entrada da igreja e nos hotéis que servem o cicloturismo estão marcados os anos e respectivas alturas atingidas por cada cheia. Em suma, agora o plano é refazer artificialmente as curvas do rio para desacelerar e absorver parte do caudal. Enfim, têm ciclovias S.U.F. mas, por suposto, também têm problemas ligados com o excesso de racionalidade no que à produção agrícola diz respeito.

De Sines a Odemira não temos ciclovias S.U.F. mas, em compensação, temos uma paisagem deslumbrante e variada para admirar, ora à beira mar, até Porto Côvo, ora serra adentro até Odemira. A diversidade de paisagem é pautada por coloridos diferentes dados pelas flores que ladeiam as bermas e enfeitam as planícies com "monda já empacotada" em rolos brancos gigantes com os quais apetece, pelo menos na imaginação, brincar. Com Porto Côvo à vista, vem à memória o refrão da canção do Rui Veloso:

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Quando nos aproximamos do lugar, deixamos de ver seja o que for graças aos "muros" de auto-caravanas junto arriba e nos parques dos bairros tapando por completo o casario.  Nota-se, não só em Porto Côvo mas por todo a costa visitada, a falta de regulamentação do estacionamento das auto-caravanas, ou tão só a falta de vigilância do seu cumprimento. Mormente são caravanistas que vêm de países onde este tipo de estacionamento massivo em áreas nobres não é de todo plausível e nem consentido.

Entrando na serra, a caminho de Odemira deixámos de nos cruzar com cicloturistas e passámos a acenar aos muitos ciclistas atletas que, obviamente para treino, escolhem percursos de serra com maior dificuldade de realização. Viajar de ebike possibilita a visita a terras do interior do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina que, apesar de perto do litoral, ficam fora da rota habitual do cicloturismo, como é o caso de S. Luís, onde almoçámos.

Ao nível da restauração e ao longo da costa, desde Lisboa até aqui e para quem tem viajado ao longo destes anos para estes lados, nota-se grande melhoria a vários níveis: apresentação do restaurante, menus que oferecem tradição de culinária e inovação ao nível da apresentação e, ainda, atendimento profissional. O restaurante Varanda da Aldeia em S. Luís é um exemplo que ilustra esta mudança, apesar de não termos acedido à varanda (há que reservar atempadamente).

A seguir a um almoço opíparo, sem ritual de sesta cumprido, torna-se sempre mais difícil pedalar e, não ajudando nem motivando, a saída de S. Luís em direção a Odemira é sempre a subir. A estrada que se percorre é cercada por eucaliptos frondosos que deixam ver campos de cultivo de geografia ondulada que vão mudando de cor à medida que a tarde avança. As subidas são duras mas as descidas compensam em emoção vivida contra o vento fresco que nos refreia o ímpeto veloz.  Valeu a diversão de nos dobrarmos sobre a bicicleta para vencer a resistência ao vento, parecendo ciclistas em competição, na grande descida da serra para Odemira, onde a etapa terminou. 

Num grupo heterogéneo como este, os mais velhos vão de ebike e os mais novos vão de bicicleta padrão. Na foto quem passa dos 50 ajuda quem ainda não chegou aos 30 anos numa daquelas subidas que nunca mais acaba

FALTAM CICLOVIAS S.U.F.

Viajar de bicicleta em Portugal é uma descoberta soberba. Os problemas que vamos apontando em cada etapa visam melhorar pormenores que facilitam a experiência de viagem a todos os cicloturistas, como é este caso da entrada em Sines.

Sines, em particular, faz parte da rede europeia Eurovelo 1 e tem atualmente um fluxo de cicloturistas europeus muito considerável. Todos, sem distinção de nacionalidade, mesmo os portugueses, acabam por entrar em Sines seguindo pela berma da auto-estrada porque a nacional (uma auto-estrada transformada), de repente, deixa de ser EN e passa a Auto-estrada. Ora, não existindo qualquer indicação sobre como chegar Sines os cicloturistas fazem 11km na berma da auto-estrada. De repente, já perto de Sines, encontram uma ciclovia que, dada a segurança e a orientação, instintivamente seguem indo dar à baía.

A ciclovia existente como que legitima o percurso realizado na berma da auto-estrada porque dá-lhe continuidade. A existir, e devidamente sinalizada, devia estar no fim do percurso que entra na cidade evitando a berma da auto-estrada - o azul. As ciclovias que não indicam no seu começo a direção  que tomam ou o nº de km que servem são percursos cegos. A maior parte destas ciclovias isoladas servem apenas o lazer de fim de semana, nomeadamente a quem corre ou anda a pé. Para andar de bicicleta, para promover o cicloturismo, é necessário uma rede de ciclovias S.U.F. - Seguras - Úteis - Fáceis de encontrar e de seguir.

Seguem-se os mapas que mostram as duas formas de chegar a Sines: a vermelho - percurso realizado pelos cicloturistas na berma da auto-estrada; a verde - ciclovia segregada existente no trajeto da auto-estrada à chegada a Sines, sem indicação para onde se dirige nem quantos km tem; a azul -  percurso seguro, sem andar pela berma da auto-estrada, só falta marcar e sinalizar. A toponímia é fácil de decorar, seguir para Bêbeda

O segundo mapa é um pormenor do primeiro, relativo à entrada ou saída da cidade: a azul - entrada em Sines, por uma ponte que passa sobre o gasoduto e oleoduto de Sines; a verde - a ciclovia existente no fim da auto-estrada, desfasada deste percurso seguro, passa por baixo da ponte. Os cicloturistas ficam admirados, primeiro, por terem de seguir pela berma da auto-estrada e, segundo, por disporem, depois de 11 km quilómetros, de uma ciclovia que os leva até à baía - tudo surpreendente porque nada está sinalizado. E são estas duas surpresas que tornam a entrada na cidade um inédito que fica registado nas memórias da viagem. No dia seguinte, na baía de Sines a partir para Odemira, voltámos a encontrar o casal suíço e a história que tinham para partilhar era exatamente este inédito.

18486153_10213137943713074_6939790840309561625_n
O cruzamento para bêbeda para quem entra ou sai de Sines
Etapa 2 - Setubal a Sines
A ponte sinalizada a azul no mapa acima
FullSizeRender-1
Ciclovia de lazer ao longo da baía de Sines
Screen Shot 2017-05-13 at 21.32.14
A ciclovia enfeita a área ajardinada até à saída da cidade
Na parte antiga da cidade: grupo de crianças de bicicleta, indicador de ruas seguras
FullSizeRender-4
Entrada em Porto Côvo
FullSizeRender-6
Porto Côvo, junto à falésia
Fotos: Joel Canavilhas
Valeu a pena a viagem, Odemira é uma cidade muito bonita.

SERVIÇOS DE APOIO EXISTENTES

‣  Alojamentos e Restaurantes onde nos guardam a bicicleta - SIM

‣  Interligação com os transportes públicos (comboio e autocarro) - NÃO

‣  Locais de informações específicas sobre rotas - NÃO

‣  Aluguer de bicicletas - EUROPCAR

‣  Oficinas de bicicletas - SIM